You Are a Dead Pixel 

Um dead pixel é um ponto inativo e isolado num ecrã,  circundado por outros tantos pixels em pleno  funcionamento. Esta conceito descreve o fenómeno no qual  um pixel de um ecrã deixa de funcionar e está  impossibilitado de mudar de cor. É visualizado muitas vezes  como um ponto preto, no meio de um ecrã totalmente  branco.  

Esta ideia é o ponto de partida conceptual para uma obra nova  multimédia-imersiva que será escrita para o Drumming GP e  grupo de jazz. Este conceito revela-se como uma analogia de  como cada ser humano pode estar isolado e de alguma forma  insignificante no meio de uma sociedade digitalmente  individualizada e imensa, explorando o sentimento de isolamento  como um estado de espírito de êxtase. 

You Are a Dead Pixel desenvolve uma linguagem multimédia, em  coexistência com performers, vídeo, eletrónica e luz, onde  sombras são esculpidas através das diversas projeções que  inundam o espaço, criando um projeto multisensorial, onde o  ambiente audiovisual imersivo e denso é criado a partir de total  escuridão. A perceção do espaço físico onde a ação ocorre é  moldada e manipulada pela luz e diferentes formas vectoriais  produzidas pelo vídeo e luz, interagindo intimamente com um  sistema de mapeamento de vídeo que rodeia o ensemble e o  público. A perceção do espectador é manipulada e subvertida pelas ferramentas multimídia num fluxo constante ao longo da  peça, criando uma estimulação contínua dos sentidos, mantendo  a audiência numa energia sustentada. 

Esta obra forma um concerto completo (aproximadamente 1  hora) e cria uma ponte musical entre o jazz, ensemble de  percussão, música improvisada, meios multimédia e novas  tecnologias, reunindo estas práticas artísticas numa performance  híbrida.

Igor C Silva

Nascido no Porto em 1989, Igor C. Silva licenciou­‑se em Composição na ESMAE em 2011, tendo iniciado o mestrado em Composição e Teoria Musical nesse mesmo ano. Participou em vários workshops e classes de aperfeiçoamento com vários compositores e ensembles, como por exemplo o workshop com o Remix Ensemble em 2009 e o 1º Fórum Internacional de Jovens Compositores do Sond’Arte Electric Ensemble em 2011.

Lux-Lucis

Mais do que um fenómeno físico a luz tem, na nossa cultura, uma multiplicidade de conotações: ilustração do estado mental, do saber, da orientação solar, elemento arquitectónico fundamental na modelação do espaço e um elemento pictórico basilar em alguns períodos da história de arte, entre outras. Sem dúvida a sua importância é imensa, porque a luz é, sobretudo, energia: um dos fundamentos da sociedade actual. Chegando mesmo a considerar-se um dos elementos do conhecimento que nos distingue dos animais irracionais. A expressão “dar à luz” é nascer, é dar Vida!

A visão sendo o sentido envolvido diretamente com a luz, que ao incidir no olho, nosso orgão com mais terminações nervosas, converte as ondas de luz em impulsos elétricos que envia ao cérebro e cujo papel é dominante para a interpretação do mundo pelo ser humano, e por isso considerado a janela do conhecimento. Em conjunto com o ouvido, segundo orgão com mais terminações nervosas, é o que mais zonas diferentes do cérebro incita, se pode afirmar que são os sentidos – a visão e a audição – que mais fortemente nos relacionam com a natureza e com o mundo exterior, e a arte tem também essa qualidade de ligar-nos ao mundo.

Este espetáculo parte e considera a luz como o primeiro elemento criativo moldando a luz como poesia do espaço; o traço de luz é o guia do som e o som é o guia da luz. Cada um destes fenómenos físicos convertidos em arte servirá de guia mútuo numa sinestesia e sinergia contagiante para, assim, melhor compreender e iluminar o nosso entendimento do fenómeno musical acústico. E do mundo.