Som Oblíquo

A criação do projeto musical “Som Oblíquo” para cinco percussionistas, eletrônica e vídeo surge como uma colaboração do compositor espanhol Octavi Rumbau e do artista visual alemão David Mrugala com o prestigiado grupo de percussão Drumming GP do Porto (Portugal). O projeto conta com o apoio do Governo da Catalunha. A obra é inspirada na composição dos seis poemas interseccionistas de Fernando Pessoa, “Chuva Oblíqua”.

Este projeto combina a música de Octavi Rumbau, caracterizada pela sua capacidade de apresentar materiais autogerados a partir de premissas mínimas, com o trabalho do artista visual David Mrugala, que se especializa na criação de imagens autogerativas feitas exclusivamente com código de computador. Através desta colaboração, pretende-se explorar a interseção entre o plano objetivo (o algoritmo) e o plano subjetivo (a sua perceção), à maneira do pensamento de Pessoa, buscando uma nova dimensão poética e expressiva a partir desta interseção.

Assim, o projeto “Som Oblíquo” visa ir além da música e da imagem, provocando uma incerteza perceptiva que se conecta com a visão de Pessoa sobre a perceção: procura fundir imagens de uma forma aparentemente ilógica para provocar diversos significados e um caos controlado, mas ao mesmo tempo desconhecido e evocativo.

Descrição geral do projeto O projeto para cinco percussionistas, eletrônica e vídeo, “Som Oblíquo”, é uma performance do prestigiado grupo de percussão Drumming GP do Porto (Portugal). O nome do projeto vem do ciclo “Chuva Oblíqua” do poeta português Fernando Pessoa. Como mencionado anteriormente, esta coleção de poemas baseia-se numa das principais ideias do pensamento de Pessoa: a interseção. Trata-se de uma estratégia criativa baseada na criação de dois planos, um objetivo e outro subjetivo, que acabam por criar um terceiro plano devido à interseção.

Seguindo esta ideia altamente sugestiva de Pessoa, o projeto “Som Oblíquo” pretende beber deste pensamento, mas através dos mundos do som e da imagem. Especificamente, procura confrontar dois planos à maneira de Pessoa: um objetivo, baseado em procedimentos algorítmicos e gerativos, e um subjetivo, baseado na perceção do próprio procedimento. Estes se intersectam para dar origem a um terceiro plano situado numa nova dimensão de natureza mais poética e expressiva.

You Are a Dead Pixel 

Um dead pixel é um ponto inativo e isolado num ecrã,  circundado por outros tantos pixels em pleno  funcionamento. Esta conceito descreve o fenómeno no qual  um pixel de um ecrã deixa de funcionar e está  impossibilitado de mudar de cor. É visualizado muitas vezes  como um ponto preto, no meio de um ecrã totalmente  branco.  

Esta ideia é o ponto de partida conceptual para uma obra nova  multimédia-imersiva que será escrita para o Drumming GP e  grupo de jazz. Este conceito revela-se como uma analogia de  como cada ser humano pode estar isolado e de alguma forma  insignificante no meio de uma sociedade digitalmente  individualizada e imensa, explorando o sentimento de isolamento  como um estado de espírito de êxtase. 

You Are a Dead Pixel desenvolve uma linguagem multimédia, em  coexistência com performers, vídeo, eletrónica e luz, onde  sombras são esculpidas através das diversas projeções que  inundam o espaço, criando um projeto multisensorial, onde o  ambiente audiovisual imersivo e denso é criado a partir de total  escuridão. A perceção do espaço físico onde a ação ocorre é  moldada e manipulada pela luz e diferentes formas vectoriais  produzidas pelo vídeo e luz, interagindo intimamente com um  sistema de mapeamento de vídeo que rodeia o ensemble e o  público. A perceção do espectador é manipulada e subvertida pelas ferramentas multimídia num fluxo constante ao longo da  peça, criando uma estimulação contínua dos sentidos, mantendo  a audiência numa energia sustentada. 

Esta obra forma um concerto completo (aproximadamente 1  hora) e cria uma ponte musical entre o jazz, ensemble de  percussão, música improvisada, meios multimédia e novas  tecnologias, reunindo estas práticas artísticas numa performance  híbrida.

Le Scorpion-L’Age d’Or

Um dos primeiros filmes sonoros produzidos em França, em 1930, A Idade do Ouro de Buñuel foi um autêntico escândalo na sua época. Obra‑chave do cinema surrealista, com argumento de Salvador Dalí e a presença no ecrã de artistas famosos como Max Ernst e Josep Llorens Artigas, atacava sem piedade a moral social e da Igreja perante as tentativas de consumação de uma relação amorosa. Setenta anos depois, o compositor argentino Martin Matalon compôs uma nova banda sonora para este clássico, para seis percussionistas, piano e electrónica.

Intra

Drumming & Mark Fell. Mark Fell returns with an incredible album of rhythmelodic cadences performed with Drumming Grupo De Percussão on the Sixxen metallophone system: a set of six microtonally tuned instruments originally conceived by Iannis Xenakis in 1976.

The eight-part Intra stands out as one of Fell’s most immediate and unusual releases; high in concept but also satisfying an obsession for complex polyrhythms as explored and developed by the likes of Beatrice Dillon, Don’t DJ, and further out to augmented realities rendered by Kara-Lis Coverdale, Kassem Mosse and even Jlin.

Making use of a kind of conceptual future-primitivism, Fell probes the perceptive difference between ideas of simplicity and complexity by sending instructions to acoustic drummers via electronic triggers relayed through headphones, an idea he first explored on the Time and Space Shapes for Gamelan installation made in collaboration with Laurie Spiegel.

His ongoing interests in the classical Indian “Carnatic” music systems also play a big part here; its mathematical sound rules or Tala, have 35 possible combinations – many more than the usual Western structures of minor and major scales. It’s this structure that imbues these recordings with such complex, propulsive and oddly pensive energies.

Concept aside, Intra is a beautiful piece of sound art which sidesteps convention and perceptions of music in a way that’s highly pleasurable, even strangely soothing in its stilted trickle of off kilter tones, revealing successive dimensions with each repeated listen.

Num único acorde

Drumming & Hugo Vasco Reis. Durante o biénio 2019/20, o artista visual Pedro Vaz (Maputo, Moçambique, 1977) realizou a travessia pedonal da Grande Rota Transpirenaica, GR11, em Espanha, desde o Mar Cantábrico (Cabo Higuer) até ao Mar Mediterrâneo (Cabo Creus), numa imersão total na natureza, tendo como leitmotiv a criação de uma obra artística que denominou “Num Único Acorde”. Este trabalho investiga a relação íntima e persistente com a natureza. Uma investigação sobre a paisagem contemporânea, mais especificamente, sobre a relação entre o homem e a natureza, e neste caso, a circulação humana no planeta e o excesso de tudo o que o rodeia. No entanto, distancia-se das exposições anteriores pela importância dada ao som e à sinestesia com outras formas de arte contemporânea como a música atual. Para isso fez uma colaboração com o compositor Hugo Vasco Reis (Lisboa, 1981). O trabalho de Hugo foi ouvir os sons da paisagem que Pedro Vaz gravou durante os 45 dias de caminhada e mediá-los para instrumentos acústicos, propondo uma peça de 45 minutos para quarteto de percussão a ser interpretada pelos Drumming, na mesma sala onde estão expostas as pinturas e os vídeos do percurso pedestre.

Time Poetries

Drumming & Carlos Guedes. Time poetries – (Poemas do tempo) é um ciclo de peças para quarteto de lâminas e pequenos instrumentos de percussão e electrónica sob suporte fixo, que exploram a passagem do tempo em música. Como disse Susanne Langer, “a música torna o tempo audível” (1953, p. 110). Estas peças exploram a música como uma suprema arte do tempo, tornando-o audível de várias formas e explorando e aplicando técnicas de ilusão temporal como os “ritmos de Risset” que criam ilusões de acelerando ou ritardando contínuas e infnitas, ritmos Euclidianos, ou técnicas de modulação métrica usadas comumente na música carnática do sul da índia.

O ciclo, encomendado pelo Drumming Grupo de Percussão do Porto, totaliza cerca de 55 minutos e leva os ouvintes numa viagem hipnótica, induzindo estados de transe e explorando sonoridades que evocam a música psicadélica. Pretende-se que o público entre numa viagem musico-temporal libertadora experienciando vários estados emocionais que advêm de diferentes formas de estar no tempo.

For Percussion

Drumming & @C. This album collects works created for or with Drumming GP, a percussion ensemble founded in 1999 by Miquel Bernat, a world-class performer and teacher. Drumming works across styles, from contemporary composition to jazz, from music for theatre and dance, to a timbila orchestra that explores the traditional African instrument in its traditional repertoire and contemporary compositions. Drumming has partnered with dozens of composers to create new works that have significantly contributed to expanding the contemporary repertoire for percussion ensembles. They have released multiple works, from monographic albums to collaborations with composers such as Jesus Rueda, António Pinho Vargas, José Manuel López López, Luís Tinoco, Joana Gama and Luís Fernandes, Vasco Mendonça, or Mark Fell.

This collaboration led to reflect upon and reconsider our working processes. When we make music, we usually do not write for other musicians but rather for ourselves, and for our computers, we program. Perhaps because of that, we tend not to think about what we do as “composing”.

A composition prescribes the results of a process that, in general, it does not detail. A program, on the other hand, is focused on a process. Both are information. The composition is a description and the program is an instruction. But a composition can, of course, contain or be procedural information, information that does. A composition can be a liminal object that is part abstraction and part embodied activity.

When Miquel Bernat approached us with a proposal to compose a piece that could bring us together on stage: our computers and their percussion, our lack of musical gesture and their finely honed stage presence, we had to, for the first time, compose for other musicians. We had to consider how our processes of programming could become processes of composing.

This led us to experiment with several approaches and methodologies, not only for that first commission but also for subsequent collaborations. In this process, we discovered ways to collaborate and to create with Drumming.Some of the results of this work with Drumming are already published in other contexts: 62, created from recordings with Miquel Bernat, published in 2008 in the album Up, Down, Charm, Strange, Top, Bottom; or 88 (two firsts) published in 2011 in a compilation. Several of these compositions were performed live, and they are now presented in a recorded format for the first time.

Home Is Where Your Heart Is

Drumming & Vasco Mendonça. Home is where your hearts is não é tanto o título de uma peça, como a designação de um processo – o de criar fantasias performativas a partir de diferentes textos (ou fragmentos).

Muitos textos (ou passagens desses textos) têm uma espécie de vida secreta, que pode ser mais ou menos parecida com o que aparentam ser; são um conjunto de indícios de um potencial acto público. A natureza deste potencial varia muito: de pessoa para pessoa, com o tempo, com a disposição. Os textos que escolhi para esta apresentação podiam ser mais ou menos, podiam ser outros, estar por outra ordem. Podia ser só um, ou os muitos que ainda não existem (e talvez venham a existir no futuro). Achei que a tirania, a infância, o activismo e o perigo de cantar karaoke seriam um bom ponto de partida.