Lux-Lucis

Mais do que um fenómeno físico a luz tem, na nossa cultura, uma multiplicidade de conotações: ilustração do estado mental, do saber, da orientação solar, elemento arquitectónico fundamental na modelação do espaço e um elemento pictórico basilar em alguns períodos da história de arte, entre outras. Sem dúvida a sua importância é imensa, porque a luz é, sobretudo, energia: um dos fundamentos da sociedade actual. Chegando mesmo a considerar-se um dos elementos do conhecimento que nos distingue dos animais irracionais. A expressão “dar à luz” é nascer, é dar Vida!

A visão sendo o sentido envolvido diretamente com a luz, que ao incidir no olho, nosso orgão com mais terminações nervosas, converte as ondas de luz em impulsos elétricos que envia ao cérebro e cujo papel é dominante para a interpretação do mundo pelo ser humano, e por isso considerado a janela do conhecimento. Em conjunto com o ouvido, segundo orgão com mais terminações nervosas, é o que mais zonas diferentes do cérebro incita, se pode afirmar que são os sentidos – a visão e a audição – que mais fortemente nos relacionam com a natureza e com o mundo exterior, e a arte tem também essa qualidade de ligar-nos ao mundo.

Este espetáculo parte e considera a luz como o primeiro elemento criativo moldando a luz como poesia do espaço; o traço de luz é o guia do som e o som é o guia da luz. Cada um destes fenómenos físicos convertidos em arte servirá de guia mútuo numa sinestesia e sinergia contagiante para, assim, melhor compreender e iluminar o nosso entendimento do fenómeno musical acústico. E do mundo.