Pop Metamorfoses

Uma das grandes preocupações do meio artístico musical atual, e consequentemente do Drumming GP, é o pouco conhecimento, difusão e recetividade da música contemporânea e erudita junto da comunidade. Esta lacuna criou um distanciamento do público, que se tornou pouco permeável a esta forma artística. Contudo, acreditamos genuinamente que a música contemporânea é um género artístico fundamental para o desenvolvimento da sociedade e, particularmente, da arte sonora, preservando e cultivando valores essenciais para o desenvolvimento da humanidade e promovendo a reflexão e o debate sobre questões sociais, políticas e culturais, pois não está sujeita às leis da indústria atuais.

Diversos motivos históricos levaram ao distanciamento entre o povo e a música erudita contemporânea, com especial destaque para a Guerra Fria. Após a instauração do bloco ocidental e soviético nos anos 50, foram implantadas duas linhas de ação muito distintas que, em paralelo, levaram a um afunilamento deste género musical e, assim, ao distanciamento do povo. 

Por um lado, o bloco ocidental desenvolveu a sua linha criativa e social pós-bélica na Europa através do apoio e incentivo à total liberdade do artista e compositor, sem qualquer tipo de preocupação no impacto da música no público e sociedade, tendo como principal expoente e referência os cursos de verão de Darmstadt. Por outro lado, o bloco Soviético impunha que os seus artistas e criadores escrevessem música “pensada” para o povo, restringindo a possibilidade de se aventurarem em campos mais experimentais, profundos e criativos. Em suma, não permitiam que o artista compusesse com liberdade. 

Hoje, e pela falta de equilíbrio entre as duas linhas de ação, temos a perceção que ambas as opções não contribuíram para a difusão da arte contemporânea. Juntamente com o pouco apoio e a característica normal de a vanguarda não ser uma linha da criação para massas, a criação musical erudita foi, a pouco e pouco, perdendo relevo e distanciou-se do povo.

Por isso criamos este projeto «Pop Metamorfoses» que, através da omnipresente música popular (que com o surgimento da rádio, televisão, discos, computadores e telemóveis chegou até o último recôndito lugar do país e do planeta), será o ponto de partida e uma ponte para a música de criação atual e de vanguarda. Este projeto dá seguimento a um dos nossos projetos mais bem-sucedidos de sempre, o “Rock Metamorfoses”, criado em 2002, para um efetivo de 7 percussionistas e um conjunto de 7 peças de 10 minutos. Já o Pop Metamorfoses terá como base um efetivo de 5 intérpretes (4 percussionistas e uma guitarra elétrica: Miguel Moreira) e será constituído por 10 peças de 7 minutos

Desta vez o desafio será lançado a 10 compositoras/es, que selecionarão individualmente um tema do universo Pop que tenha influenciado, comovido ou acompanhado de alguma maneira a sua vida pessoal e artística. A escolha da referência musical será totalmente livre e servirá de ponto de partida e fonte de inspiração para ser metamorfoseada em composições originais, e não meros arranjos, para grupo de percussão e guitarra elétrica (ou baixo elétrico e sintetizador). Esta é também uma forma de reciclar, porque partimos de músicas já existentes (algumas delas possivelmente já em desuso) e uma maneira de expandir os horizontes desta grande família que são os compositores atuais e dar-lhes a possibilidade de chegar a públicos mais numerosos e diversificados e, assim, facilitar e criar um caminho nesta via da criação.

No decorrer do espetáculo, um excerto do tema original Pop escolhido por cada compositor será ouvido e visto (o espetáculo terá projeção de vídeo) pelo público antes da execução de cada uma das novas obras. Assim, o público terá uma maior perceção do ponto de partida de cada criador e será envolvido pela metamorfose decorrente entre o tema original e criação artística de cada um dos compositores, num manancial de criatividade reviverão a cultura popular «erudizada» e a música erudita «popularizada». Esta transformação tem muita margem de criatividade e é isto que está em jogo: ouvir como o processo composicional pode partir de um ponto muito preciso e levar-nos a uma viagem inesperada, a uma descoberta dos parâmetros da imaginação pura dos nossos autores contemporâneos.

Arte da percussão

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Pedro Lima

Pedro Lima is a portuguese composer with a considerable number of works presented nationally and internationally. His music has travelled, among others, to the prestigious Konzerthaus Berlin, Milton Court Theatre in London, Casa da Música (Porto), Fundação Calouste Gulbenkian (Lisbon), Theatro Circo (Braga), Centro Cultural Vila Flôr (Guimarães), MIRA Forum (Oporto) and GNRation (Braga). Pedro Lima’s multifaceted output ranges from immersive electronic music, operatic music, music for screen, ensemble music, works for large orchestra and arrangements for all types of formations.